O Brasil conta seus mortos com as chuvas torrenciais de mais um verão. São 381 os óbitos trágicos até o momento, só no estado do Rio de Janeiro. Deve aumentar o saldo macabro. Famílias perdem, soterrados ou afogados, seus entes queridos, mais as casas, patrimônio construído com décadas de trabalho honesto.A tragédia repete-se a cada ano, sempre no auge do verão, em todos os locais onde construções abusivas – algumas até de famílias de alta renda – insistem em fincar alicerces em frágeis encostas, fundos de vale, beira de rios, áreas de risco. Sempre em terrenos que foram limpos – eufemismo usado quando se derruba impiedosamente a Mata Atlântica.
Nas pitorescas cidades serranas do estado do Rio, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, cataratas de água e avanlanches de terra despencaram, em colossal aluvião, da serra dos Órgãos.
Itaipava, elegante estação serrana, ao sopé do Dedo de Deus, entre Petrópolis e Teresópolis, praticamente desapareceu. No vale do rio Cuiabá, casas de veraneio da alta sociedade brasileira foram arrasadas pelo aluvião.
Os Conolly, importantes acionistas do Banco Icatu, foram dizimados. Oito mortos só na família: a estilista Daniela Connoly, seu marido e filho, três dos filhos do empresário Erick Connoly, e os pais de ambos.
Também em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, chove torrencialmente há 44 dias, o que é agravado pela ineficiente coleta de lixo, excessiva impermeabilização do solo urbano, construções abusivas, favelas onde tudo foi permitido em nome da pobreza, somada à ganância, omissão e corrupção. Na foto de Almeida Rocha, rua interrompida pela cheia na paulicéia. Calor e concreto fizeram a garoa virar temporal. A população desrespeitada, o cootidiano marcado pelo risco e a morte.
O fenômeno não está longe de acontecer na grande Curitiba. Campo Magro, Almirante Tamandaré, Colombo, Piraquara, Fazenda Rio Grande, Araucária e seus grotões não resistiriam a uma chuva copiosa e intermitente como a que assolou o leste do país. Os recuos urbanos em Curitiba há muito já não são respeitados – todo mundo constrói o que quer, onde quer. Os jardins de cinco metros desapareceram das posturas urbanas. Duvida? Passe pela Coronel Dulcídio ou pela Vicente Machado, no coração do Batel.
Desde que mexeram no rio Belém, com as obras da inacabada Linha Verde, uma onda de cheia tem se repetido a cada tarde chuvosa, infernizando os curitibanos de diversos bairros. Foto de Daniel Caron mostra um bi-articulado entre as águas.
A necessária limpeza de bueiros de Curitiba deixa a desejar. Na Ébano Pereira e rua 15, várias lojas costumam vedar os bueiros do calçadão com papelão e fita crepe, para banir mau cheiro. Quando chove, empoça a água. Fiscalizar quem há de? Rios e galerias – faz mais de doze anos – não são dragados. Fala-se na urgência de um plano de contenção de enchentes na cidade. Estamos de olho.
Felizmente 3500 casas do PAC, projetadas e construídas pela Cohapar na gestão do engenheiro Rafael Greca atenuam o problema nos mananciais de água, junto aos rios que formam o rio grande dos índios, chamado por eles de Iguaçu. Mas muito mais ainda precisa ser feito.
Esta manhã a presidente Dilma Rousseff deixou Brasília, sobrevoou as áreas atingidas. Vontade política de servir e acertar não lhe faltam. A bela serra fluminense, qual esfinge, esconde um enigma proposto à primeira mulher presidente do Brasil: decifra-me ou devoro-te…
Nas pitorescas cidades serranas do estado do Rio, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, cataratas de água e avanlanches de terra despencaram, em colossal aluvião, da serra dos Órgãos.
Itaipava, elegante estação serrana, ao sopé do Dedo de Deus, entre Petrópolis e Teresópolis, praticamente desapareceu. No vale do rio Cuiabá, casas de veraneio da alta sociedade brasileira foram arrasadas pelo aluvião.
Os Conolly, importantes acionistas do Banco Icatu, foram dizimados. Oito mortos só na família: a estilista Daniela Connoly, seu marido e filho, três dos filhos do empresário Erick Connoly, e os pais de ambos.
Também em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, chove torrencialmente há 44 dias, o que é agravado pela ineficiente coleta de lixo, excessiva impermeabilização do solo urbano, construções abusivas, favelas onde tudo foi permitido em nome da pobreza, somada à ganância, omissão e corrupção. Na foto de Almeida Rocha, rua interrompida pela cheia na paulicéia. Calor e concreto fizeram a garoa virar temporal. A população desrespeitada, o cootidiano marcado pelo risco e a morte.
O fenômeno não está longe de acontecer na grande Curitiba. Campo Magro, Almirante Tamandaré, Colombo, Piraquara, Fazenda Rio Grande, Araucária e seus grotões não resistiriam a uma chuva copiosa e intermitente como a que assolou o leste do país. Os recuos urbanos em Curitiba há muito já não são respeitados – todo mundo constrói o que quer, onde quer. Os jardins de cinco metros desapareceram das posturas urbanas. Duvida? Passe pela Coronel Dulcídio ou pela Vicente Machado, no coração do Batel.
Desde que mexeram no rio Belém, com as obras da inacabada Linha Verde, uma onda de cheia tem se repetido a cada tarde chuvosa, infernizando os curitibanos de diversos bairros. Foto de Daniel Caron mostra um bi-articulado entre as águas.
A necessária limpeza de bueiros de Curitiba deixa a desejar. Na Ébano Pereira e rua 15, várias lojas costumam vedar os bueiros do calçadão com papelão e fita crepe, para banir mau cheiro. Quando chove, empoça a água. Fiscalizar quem há de? Rios e galerias – faz mais de doze anos – não são dragados. Fala-se na urgência de um plano de contenção de enchentes na cidade. Estamos de olho.
Felizmente 3500 casas do PAC, projetadas e construídas pela Cohapar na gestão do engenheiro Rafael Greca atenuam o problema nos mananciais de água, junto aos rios que formam o rio grande dos índios, chamado por eles de Iguaçu. Mas muito mais ainda precisa ser feito.
Esta manhã a presidente Dilma Rousseff deixou Brasília, sobrevoou as áreas atingidas. Vontade política de servir e acertar não lhe faltam. A bela serra fluminense, qual esfinge, esconde um enigma proposto à primeira mulher presidente do Brasil: decifra-me ou devoro-te…
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